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The Cherry

06
Nov18

Aqui me confesso #45

Sou só eu que acho que a frase "não devemos fazer tudo o que os médicos dizem", quando aplicado a crianças, é um tremendo disparate?! E, no meu caso, sendo eu mãe de primeira viagem sem qualquer tipo de experiência com outras crianças, é ainda mais chocante.

 

Ora, se eu não vou fazer o que o médico diz, vou fazer o que quem diz? Se não vou fazer ao que a pessoa a quem eu estou a pagar para ver se a minha filha está boa e a crescer saudável diz, vou fazer o que quem diz? 

 

Vou fazer o que o motorista de autocarros que passa por mim todos os dias diz? Vou fazer o que a empregada de balcão que me serve o café todas as manhãs diz? Vou fazer o que o banqueiro que me conta as suas experiências enquanto pai cada vez que vou trocar moedas ao banco diz?

 

Não querendo desprestigiar todo o conhecimento que essas pessoas possam ter, não são médicas! Não lidam com crianças todos os dias! Não acompanham o histórico da Leonor como o médico dela faz!

 

É claro que também dou ouvidos à minha intuição mas - mais uma vez - eu sou completamente inexperiente no papel de mãe! Por isso tenho que ter algum "guia" que me oriente. Por isso é que levo a herdeira ao médico de dois em dois meses, certo?

 

Por isso é óbvio que faço tudo o que o médico dela diz!

27
Out18

Aqui me confesso #44

Vocês ajudem-me a perceber uma coisa: Sou eu que sou uma mãe muito descontraída ou as outras mães de primeira viagem é que são zelosas demais?

 

Ora bem, tinha a Leonor um mês, salvo erro, quando fui a uma consulta de rotina no centro de saúde. Estávamos em pleno inverno, por isso ela ia dentro do ovinho toda embrulhada em roupa e numa manta. Por azar, uma ponta dessa manta estava a tocar no chão. Eu nem tinha reparado mas, felizmente, como neste mundo há muitas pessoas com "mil olhos" e que vêm tudo o que se passa à volta delas, uma Sra tocou-me no ombro:

 

- A manta da sua filha está a tocar no chão.

 

Eu olhei, constatei que a Sra tinha razão mas não fiz nada. Afinal era apenas uma ponta da manta que estava a tocar no chão. Ninguém a tinha pisado. Ninguém a tinha arrastado pelo chão. E eu não tinha colocado essa ponta em contacto directo com a menina. Nada de mal tinha acontecido. A ponta da manta estava apenas em contacto com o chão. Posto isso, na minha santa ingenuidade, virei-me para a Sra e disse apenas e só "Pois está.".

A Sra ficou muito indignada com a minha descontracção, como se eu estivesse a dizer que ia esfregar aquela ponta no chão e depois a iria enfiar na boca da criança. Ficou de tal forma aflita que me respondeu:

 

- Sabe que a sua filha é bebé? - Não deveria saber? Afinal fui eu que a tive!  - Ela não tem defesas! E a manta dela está no chão!

 

Nisto a Leonor acordou e eu deixar de dar atenção ao "escândalo" da Sra para dar atenção à minha filha. 

Depois, quando cheguei a casa, acabei por pôr a manta para lavar. Apenas por descargo de consciência, porque continuava a achar que aquilo tinha sido uma tempestade num copo de água.

 

 

Aqui à dias relembrei essa situação, quando fomos ao IKEA. Estávamos na parte da restauração quando na mesa em frente se sentou um casal e a mãe da rapariga. Com eles traziam um carrinho de bebé com um menino com cerca de um mês de idade, sensivelmente.

Assim que a rapariga constatou que a mãe dela estava devidamente bem sentada para poder segurar a criança no colo, colocou-lhe uma fralda de pano no ombro, uma manta nas mãos e, finalmente, o menino nos braços.

Visivelmente era o primeiro filho - e neto - daquela família. Por isso a mãe estava com todos os cuidados e mais alguns e a avó estava com toda a vontade e desejo de pegar no netinho ao colo.

Com tanto mexe e remexe, a fralda de pano caiu no chão. Mais uma vez ninguém a pisou, ninguém a arrastou pelo chão. Nada. A fralda simplesmente caiu no chão.

E aqui deu-se o maior escândalo que eu tinha visto por causa de uma fralda de pano:

 

- Mãe, deixaste a fralda cair!

- Caiu? Oh, nem dei por nada, dá cá que eu volto a coloca-la no ombro!

- Esta? Nem penses! Caiu no chão, não ouviste?!

- Que mal tem?

- Nem te vou responder! Espera que eu dou-te outra! Mas não a deixes cair no chão também porque eu não tenho mais nenhuma!

 

 

Agora pergunto eu: sou assim tão irresponsável - como aquela avó - por pensar que não haveria problema com a manta estar a tocar no chão - ou a fralda ter caído? Ou estas mães de hoje em dia andam com excesso de cuidados?  Eu bem sei que o chão é pisado por milhentas pessoas e que os sapatos trazem lixo e germes e sei lá mais o quê. No entanto pecar por excesso de cuidados não fará termos crianças sem defesas por mais tempo que o normal? 

15
Out18

Coisas que me custam a perceber - ainda - enquanto mãe.

Este fim de semana fui a um shopping e deparei-me com uma situação que ainda hoje me está a remoer as ideias...

 

Estava por lá um casal com um menino de 4 ou 5 anos e uma menina de colo com meia dúzia de meses. Não vi o que aconteceu mas quando passamos por este casal o pai estava a ralhar com o menino. Suponho que o menino tenha feito alguma coisa de mal e o pai repreendeu-o ali.

Nada de novo.

Ainda o pai não tinha acabado o que estava a dizer e já o menino estava a afastar-se para longe enquanto chorava compulsivamente.

Também nada que nunca tenha acontecido com outros pais, suponho.

O que me deixou a pensar no assunto foi o que aconteceu a seguir: Ninguém foi ter com o miúdo para tentar acalma-lo ou explicar-lhe que o que ele tinha feito não se podia fazer.

Pior que isso, no meu entender: passado um minuto ou dois o menino acabou por se acalmar sozinho e foi ter com a mãe. Chegou-se às pernas dela - que estava de pé com a bebé ao colo - puxou-lhe pela saia e disse "porque é que já não gostas de mim?"

 

Esta frase cortou-me o coração. Deixou-me arrepiada e, não conhecendo o menino de parte nenhuma, apeteceu-me ir ter com ele e dar-lhe um abraço e um beijinho.

 

O que a mãe ou o pai deste menino fizeram? Absolutamente nada! A mãe nem sequer olhou para ele. Manteve-se em pé, com a bebé ao colo, a olhar para o sentido oposto ao da criança. O pai nem sequer o vi mais. Não sei se foi a algum lado ou se estava mais afastado... O que é certo é que ninguém fez ou disse nada aquela criança.

 

 

Agora pergunto-me: estariam os pais a castigar o menino por algo que ele tenha feito? Se sim, não haveria melhor forma de o fazer?

Não querendo julgar ninguém - embora tenha consciência que já o estou a fazer  - bem sei que cada um educa da forma que acha melhor e mais correcta, no entanto aquela criança acha que já não gostam dela!, por isso pergunto-me quantas vezes situações destas não ocorreram para o menino pensar/dizer aquilo?

 

E, enquanto mãe de primeira viagem, atormenta-me também o facto de eu não saber o que faria se estivesse na situação daqueles pais. Sei que faria diferente, até porque neste momento basta a Leonor fazer um beicinho que eu já corro para lhe dar colo, por isso disso tenho a certeza. Apenas não sei o quão diferente...

 

E vocês, como castigam os pequeninos ai por casa?

27
Set18

Pareço assim tão irresponsável?

Hoje a Leonor foi levar uma vacina. Por uns segundos passou-me pela cabeça a estúpida ideia de perguntar à enfermeira se haveria mais alguma coisa que eu pudesse fazer para que a expectoração passasse:

 

- Ela anda tão entupidita...

- Pois, e este tempo não ajuda em nada.

- O tempo e a teimosia dela. Não toma os xaropes porque são doces, não toma as gostas porque são amargas, não acha piada nenhuma aos aerossóis ou ao soro e esperneia por todo o lado...

- Mãe, ela não tem quereres! Você tem que fazer o que é melhor para ela! Ela vai espernear, vai chorar, vai gritar. É normal, mas tem que insistir! Não há mais nada que possa fazer, por isso tem que ter paciência, dar-lhe colo e atenção e insistir!

- Sim, eu sei e é o que eu tento fazer mas...

- Não há mas, nem há tentar. Tem que fazer porque ela não tem quereres!

 

 

Então mas a enfermeira acha que eu não faço as coisas para ela melhorar? Faço tudo o que os médicos me dizem e muito mais! Mas não posso partir-lhe um braço para que ela fique quieta quando tento fazer-lhe o soro ou os aerossóis. Também não posso arrancar-lhe um maxilar para conseguir fazer com que ela abra a boca, tome a medicação e não a mande fora logo a seguir!

Ela não tem quereres? Talvez não, mas tem a capacidade de cuspir, de se virar com toda a força que aquele corpinho possui e de chorar até que o final da rua ouça! Tem toda essa capacidade e manifesta-a sem qualquer pudor assim que vê a seringa com o soro ou a colher do xarope ou até mesmo a mascara dos aerossóis...

Quero que a minha filha melhore? Claro que sim, mais do que qualquer coisa neste mundo! E farei o que for preciso para que isso aconteça, tal como tenho feito até agora. Só não quero é magoa-la mais para que isso aconteça...

Acho que já basta ela ter dificuldade em respirar, não?

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